domingo, 30 de novembro de 2014

Uma tranquila e madura despedida

Com o Wellington Soares (repórter cinematográfico)
 e o Irineu (motorista e apoio técnico), no último dia na reportagem de TV
Hoje, com o Wellington Soares (repórter cinematográfico) e o Irineu (motorista e apoio técnico), cumpri minha última pauta na TV Pajuçara. Não é uma despedida simples, porque não estou fechando só os 11 anos nessa emissora, mas os dezoito anos de dedicação diária ao telejornalismo.

São muitas histórias e uma experiência que começou já com muita intensidade, cobrindo casos emblemáticos da história recente de Alagoas, como a morte de PC Farias e Susana Marcolino, a prisão da Gangue Fardada, a CPI do Narcotráfico em Alagoas, o caso Silvio Viana, o caso Ceci Cunha...

Tantas e tantas informações embaralhadas num peito ansioso por ver essa terra de Zumbi dos Palmares aprender a fazer Justiça! Eu nunca fui para a rua com a expectativa de ser neutra e olhar aquilo tudo como se não fizesse parte de mim. Ouvir todos os lados da questão, sim, neutralidade, nunca!

Entrevistando Ernesto
Mas agora, é hora de desenvolver outros projetos. Preciso de tempo! Tempo para cuidar do meu filho, tempo para estudar, tempo para me dedicar à minha carreira de funcionária pública na Ufal, com a mesma paixão e compromisso.

A minha decisão já vem sendo amadurecida nos últimos seis meses. A minha saída se concretiza num período em que os ventos da mudança sopraram no jornalismo alagoano. Vamos então alterar essa rotina!

As nossas paisagens e histórias apaixonantes



Desejo sucesso à todos os meus colegas que estão mudando de casa. Sei que vocês também me desejam sorte! Nos encontraremos por aí, na pauta da vida!!!




quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Debate com candidatos ao Senado na Ufal é cancelado por falta de público


O debate com os candidatos ao Senado organizado pelo DCE da Ufal e pelo Observatório Jurídico acabou não acontecendo porque não havia público. Os dois candidatos que compareceram, Heloísa Helena e Omar Coelho, esperaram por mais de uma hora que os estudantes chegassem, mas como na Tenda Estudantil estavam apenas os representantes das entidades organizadoras e alguns assessores dos candidatos, o evento foi cancelado.

Segundo André Albuquerque, coordenador do Diretório Central dos Estudantes, como o debate com os candidatos ao Governo foi realizado no mesmo horário, na quarta-feira passada, houve dificuldade de conseguir a liberação dos estudantes nas mesmas aulas. "No debate anterior, tivemos a participação de cerca de 250 estudantes, mas como eles teriam que faltar às mesmas aulas essa semana, foi difícil mobilizar", justificou o estudante.

Heloísa Helena, do PSOL, e Omar Coelho, do DEM, conversaram com os organizadores e concluíram que não havia condições de debater. Os candidatos lamentaram, por considerar que o debate é um momento importante para esclarecer propostas e ouvir sugestões e críticas, principalmente com um público que apresenta um nível de conscientização e inserção social característico dos estudantes universitários.

Outro debate está marcado para o dia 19 no campus Arapiraca

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Movimento Abrace a Vila tem participação ativa da comunidade universitária da Ufal


O movimento surgiu há mais de dois meses para resistir à sentença judicial de remoção dos pescadores da vila do Jaraguá mas a luta é antiga*



As manifestações culturais e de protesto que procuraram chamar a atenção da sociedade para os vários aspectos relacionados à decisão judicial de remover as famílias de pescadores do Jaraguá, surtiram efeito. No dia 4 de setembro, o Tribunal Regional Federal da 5ª Região, em Recife, concedeu efeito suspensivo da liminar onde o Município solicitava a expulsão da comunidade tradicional antes do processo ser julgado. A notícia foi recebida com alívio pelos pescadores e comemorada pelo Movimento Abrace a Vila.


Vários integrantes do movimento Abrace a Vila são professores e estudantes da Ufal. Parmênides Justino Pereira, professor de Ciências Sociais do polo de Palmeira dos Índios, e Marcos Ribeiro Mesquista, professor de Psicologia do campus Maceió, estão entre os defensores da permanência dos pescadores na vila do Jaraguá. Eles fazem questão de ressaltar que os pescadores resistem há décadas às tentativas de retirá-los daquele local.


O Abrace a Vila é uma articulação de movimentos sociais e culturais que apoiam a mobilização dos pescadores para ficarem na vila do Jaraguá. O movimento propõe que a área seja urbanizada, garantindo moradia digna, saneamento básico e fornecimento de energia e água regularizados. Embora o Movimento tenha surgido há pouco mais de dois meses, depois da sentença do juiz substituto Aloysio Cavalcanti, da 13º Vara da Justiça Federal, para a desocupação da área.

Mas o relacionamento de integrantes da Ufal com a Vila dos Pescadores do Jaraguá é bem mais antigo. "A vila é campo de estudo, de ações de extensão e de ativismo social há muito tempo. Vários professores e alunos desenvolveram estudos, projetos, pesquisas tendo como foco a vida daquelas famílias de pescadores. Eu, inclusive, elaborei a minha dissertação de mestrado sobre a resistência dos pescadores, e agora estou trabalhando na tese de doutorado sobre o mesmo tema", relata Parmênides.

O professor Marcos Ribeiro também destaca as atividades realizadas por ele e a professora Simone Huning na Vila dos Pescadores, há bastante tempo. "Não é uma relação que começou agora e que tenha qualquer interesse político imediato. É uma convivência íntima com essa comunidade. Desenvolvemos projetos, trocamos experiências e saberes com os moradores há mais de quatro anos. As atividades de Extensão que realizamos são outro exemplo de uma relação de estudos e apoio social e humanitário", revela o professor. Ele ainda destaca a participação da atual vice-reitora, Rachel Rocha, nesse diálogo frequente entre a Vila dos Pescadores e a universidade.

São pescadores, não traficantes

Os professores fazem questão de desmistificar uma das justificativas utilizadas para convencer a sociedade maceioense de que a remoção da vila dos Pescadores também é uma questão de segurança. "Ficam dizendo que lá tem tráfico de drogas e é um local de criminalidade. Nós estamos na comunidade praticamente todos os dias e podemos dizer que encontramos ali pescadores, pessoas que atuam em movimentos culturais e crianças que aprendem a se expressar por meio da arte. A vila tem um ponto de cultura atuante e reconhecido nacionalmente que é o Enseada das Canoas, funcionando na Associação dos Moradores e Amigos da Vila de Pecadores de Jaraguá. Ou seja, essa comunidade tem uma história que precisa ser respeitada", defende Marcos Ribeiro. 

Parmênides ressalta que a própria Polícia Militar reconheceu que não há um nível crítico de violência na comunidade que justifique a remoção das famílias. Para ele, o que acontece é um processo conhecido como "gentrification", uma expressão para identificar a ação do poder econômico quando, para atender à interesses comerciais, altera a vida e o cotidiano de uma comunidade. "É o que estamos vendo aqui, um processo que já aconteceu em várias partes do mundo. Algumas vezes se fala em construir uma marina, outros projetos falam em um grande estacionamento. O que ser quer é 'limpar' aquela área nobre da cidade, promover uma 'higienização', para atender aos interesses econômicos", denuncia o professor. 

Uma história de resistência

Parmênides Justino lembra que já foram feitas várias tentativas de remover a Vila do Pescadores. A luta das 120 famílias que hoje vivem na comunidade é uma herança de várias décadas. Segundo o professor da Ufal, a "favelização" da vila aconteceu no início dos anos 90, no governo Geraldo Bulhões, quando vítimas de uma enchente foram transferidas para a área dos pescadores. "Com o tempo, essas pessoas, que não viviam da pesca, foram se incorporando à vila. Casaram com pescadores, aprenderam a pescar, foram vivendo por ali. Nessa mesma época, o prefeito de Maceió Ronaldo Lessa, iniciou o projeto de revitalização do Jaraguá, tentando tornar o bairro um local de lazer e comércio. A discussão sobre o que fazer com a vila dos Pescadores voltou à tona", relembra Parmênides.

O professor destaca que na gestão municipal de Kátia Born, o conflito pareceu chegar a um termo. "No segundo mandato de Kátia Born, foi apresentado um projeto que foi aceito pelos pescadores. O espaço seria urbanizado, com moradias para as famílias que já viviam ali há décadas e um mercado de peixe bem equipado. Chegaram a vir recursos do Governo Federal, em torno de 7 milhões de reais, a União cedeu a área, os laudos de impacto ambiental foram favoráveis, mas nada foi feito. Na gestão seguinte, do prefeito Cícero Almeida, o projeto de vila dos Pescadores foi substituído pela proposta de construir uma luxuosa marina que só iria beneficiar uma elite de proprietários de lanchas e iates", protesta Parmênides.

O projeto da gestão atual, do prefeito Rui Palmeira,  prevê a construção de um estacionamento de 1.900 m² , de três estaleiros, uma fábrica de peixes e um espaço cultural. Parte das famílias já foram removidas, ainda no final da gestão de Cícero Almeida, em maio de 2012, para o residencial Vila dos Pescadores, com 75 blocos, totalizando 450 moradias. Os pescadores que resistem no Jaraguá reclamam que o conjunto fica distante, a 3 km de onde ficam os barcos, já que eles não podem fundear as embarcações na praia do Sobral, onde o mar é agitado, preferindo deixá-los na enseada, junto ao porto.

Por outro lado, a prefeitura afirma que precisa executar projeto de reurbanização, que, segundo os gestores, vai contemplar o turismo, o lazer e a estrutura de trabalho para todos que vivem da pesca, para o qual estão destinados R$ 24 milhões do governo federal. "Mas nós acreditamos que, se houver diálogo e respeito às famílias dos pescadores, será possível reajustar o projeto, para que sejam construídos os equipamentos e as moradias no mesmo local", defendem os professores.

O professor da Ufal informa ainda que o movimento Abrace a Vila vai protocolar denúncia na ONU. "A intervenção urbana está violando convenções internacionais das quais o Brasil é signatário, como a convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), além de outras violações de direitos constitucionais, acrescendo-se inadequações a diretrizes dos órgão públicos, como a do projeto ao Fundo  Nacional de Habitação de Interesse Social (FNHIS), cuja prioridade é a regularização fundiária e a urbanização in loco, tendo a remoção como alternativa apenas em alguns casos. Acrescente-se a isso, que a autorização da Secretaria do Patrimônio da União para a Prefeitura é precária, portanto deixa dúvidas sobre o real domínio da Prefeitura sobre seu poder de intervenção no local", questiona Parmênides.

Um movimento em rede

A luta de resistência dos pescadores e dos movimentos que os apoiam se dá em várias frentes. Existe uma mobilização cultural, com participação de artistas, grupos musicais e de teatro que estão sempre presentes quando a Vila precisa. Também estão juntos nessa articulação, alguns antropólogos, historiadores, sociólogos, psicólogos, advogados, arquitetos e outros especialistas da Ufal, que buscam contribuir com embasamento teórico, rebatendo as teses que justificam a retirada das famílias. O movimento estudantil também está presente, com toda a criatividade e entusiasmo que são características dos jovens.

Como não podia deixar de ser, na atualidade, o movimento ultrapassou os limites da cidade e ganhou repercussão nas redes sociais. No twitter, no facebook e em outras redes, a hastag  #abraceavila está se multiplicando. Também há uma petição publica circulando na internet com o título "Prefeitura de Maceió: Nós pedimos que incluam a moradia dos pescadores em seu local original".

O tema também foi debatido durante o II Congresso Acadêmico Integrado de Inovação e Tecnologia (CAIITE), realizado de 18 a 23 de agosto, no Centro de Convenções. Foram quatro mesas redondas, entre elas, uma com o tema "Dimensões psicossociais e sustentabilidade: implicações predatórias do turismo sobre comunidades tradicionais", teve como debatedoras as professoras Adélia Souto e Marluce Cavalcante.
Segundo os professores da Ufal que participam do movimento, além da defesa da permanência da vila do Jaraguá, o Abrace a Vila suscita uma reflexão mais ampla sobre a participação da sociedade no planejamento urbano. Como expressou a professora Simone Huning, do curso de Psicologia da Ufal, "fazendo o povo pensar a cidade a partir do caso da Vila dos Pescadores do Jaraguá".

(*) esse texto foi publicado no site da Ufal. Foi atualizado para incluir uma nova informação
Para assinar a petição, acesse

Abrace a Vila no Facebook 

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Uma carta para a Carol



Hoje eu fui à agência dos Correios postar uma carta para minha sobrinha de 15 anos, que mora na mesma cidade que eu, tem whatsapp, email, instagram e facebook. Nós nos comunicamos instantaneamente sempre que queremos. Mas a Carol contou para a mãe dela que queria sentir essa emoção, do século passado, de ver o carteiro chegar trazendo cartas pessoais e não apenas contas à pagar.

Enquanto ia com uma carta na mão para os Correios, um filme passou na minha mente. Lembrei de quantas vezes, antes dessa era digital, eu escrevi cartas para meus amigos e como gostava de redigi-las, com letra caprichada e alguns enfeites. Recordei do estilo de cartas que recebia de cada pessoa querida, alguns bem diferentes. Celso, por exemplo, uma vez escreveu para mim uma carta em espiral. Deve ter dado trabalho para escrever. Eu tive que girar o papel várias vezes para ler. 

Pensei também nos trabalhos escolares e da faculdade. Quando eu comecei a escrever, não existiam computadores, pelo menos que eu tivesse ouvido falar. Eram equipamentos de filmes de ficção. Dava muito trabalho traçar cada letra num caderno, com caligrafia bonita, parecida com as escritas das cartilhas. Errar era complicado. Mesmo apagando com a borracha, ficava a marca do erro no papel.  

Escrever de caneta, então, era tenso! Eu não gostava de borrões, por isso, para não ter que passar a limpo várias vezes, eu escrevia mentalmente o texto e só depois passava à etapa cuidadosa de redigir.  Quando eu me tornei uma exímia datilógrafa, com diploma e tudo, ficava fascinada com o som do teclado. Mas o medo de errar continuava. Já pensou ter que refazer toda uma página por causa de uma letra em falso? 

Aí, chegaram os computadores e o editor de texto. Que revolução para os meus pensamentos confusos. Dá para começar de qualquer parte. Não é preciso seguir um roteiro. Posso começar pelo meio, refazer o final e deletar.  Essa parte de deletar é ótima. Você pode fazer sumir, sem deixar rastro, as ideias de que se arrepende. Na vida não é assim, tudo deixa marcas, mesmo que você tente ignorá-las. 

Apesar das tecnologias disponíveis e da possibilidade de editar e reeditar os pensamentos, é bom relembrar o costume antigo de escrever uma carta, original, única, retrato de um momento que não pode ser refeito. Está no correio. Possivelmente falo por telefone com a Carol antes de a carta chegar. Mas já estou ansiosa pela resposta...

terça-feira, 3 de junho de 2014

Atenção Estudantes! Ufal oferece 180 vagas em cinco cursos

Inscrições até quarta-feira, 4 de junho, no site do Sisu


ascom/Ufal

A Copeve divulgou edital nesta segunda-feira, 2 de junho, convocando para a seleção dos candidatos às 180 vagas, distribuídas nos cinco cursos de graduação da Universidade Federal de Alagoas, na modalidade presencial, disponibilizadas por meio do SiSU 2014.2

Os cursos são: Ciências Biológicas–Licenciatura–Noturno-Unidade Educacional Penedo; Sistema da Informação–Bacharelado–Noturno-Unidade Educacional Penedo; Agroecologia-Bacharelado-Vespertino-Ceca; Engenharia de Energias Renováveis-Bacharelado-Vespertino-Ceca, e Engenharia Florestal-Bacharelado-Vespertino-Ceca.

A seleção para as vagas será realizada em fase única, exclusivamente com base nos resultados obtidos pelos estudantes no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), no exercício de 2013 e cadastrados no Sistema de Seleção Unificada (SiSU) 2014.2. As inscrições devem ser realizadas até as 23h59min do dia 04 de junho de 2014, observado o horário oficial de Brasília-DF, exclusivamente pela Internet, por meio do Portal do SiSU, no endereço http://sisu.mec.gov.br

Somente podem inscrever-se no Processo Seletivo UFAL 2014 – SiSU/MEC-2014.2 os candidatos que tenham participado da edição do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) referente ao ano de 2013 e que, cumulativamente, tenham obtido nota acima de zero na prova de redação. Mais informações no edital. 

consulte o link:

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Comunidade universitária ouve os depoimentos de alagoanos que resistiram à Ditadura Militar

Um debate cercado de muita emoção sobre as memórias de pessoas que sofreram torturas

Um auditório lotado e repleto de jovens universitários que vieram aprender mais sobre esse período obscuro da história brasileira, ouvindo depoimentos de pessoas que foram presas e torturadas ou de familiares de desaparecidos. O segundo dia de debates sobre os 50 anos da ditadura militar foi cercado de muita emoção, a cada palavra arrancada com dificuldade para falar sobre lembranças que são dolorosas para quem foi vítima da repressão.

A coordenadora do programa Ufal em Defesa da Vida, professora Ruth Vasconcelos, ressaltou esse momento histórico para a universidade. "Não estamos aqui para ouvir pessoas que falam sobre o que leram em documentos, mas para conhecer testemunhas que são memórias vivas dessa história e que falam sobre o que vivenciaram. Isso faz uma diferença fundamental", destacou a professora.

O primeiro a contar sua história foi Valmir Costa, veterinário, hoje com 70 anos, que na época do Golpe Militar era líder estudantil em Pernambuco. Ele narrou sobre os protestos que se seguiram à prisão do então governador, Miguel Arraes. " Disseram que o golpe foi para impedir o avanço de um comunismo perigoso, mas era na verdade uma reação às reformas de base que João Goulart queria implementar no país", esclareceu ele.

Valmir destacou a importância de revelar detalhes dessa história enquanto ainda temos sobreviventes desse período, porque muitos distorções foram colocadas, inclusive na imprensa. "Ainda assim, é importante ver esses fatos sendo revelados e chamando a atenção da sociedade. Essa semana, o golpe militar foi o tema de capa de todas as revistas de circulação nacional, menos a Veja, que nem neste momento consegue disfarçar seu ranço reacionário", criticou o militante.

Valmir foi preso junto com a esposa, Maria das Graças, e levado para o Doi Codi em Recife, onde foi torturado
para revelar a localização da cunhada, Selma Bandeira, líder atuante no período e que participou da política alagoana até a década de 80, quando morreu num acidente de carro. "Também foram presos na época Lauro Bandeira e Sônia, os irmãos de Selma, e ainda minha irmã, Vera Lucia Costa, que nunca pegou numa arma", protestou Valmir.

Muita emoção também quando Olga Miranda, filha do jornalista desaparecido, Jayme Miranda, contou sobre a difícil infância que tiveram, mudando de residência sempre, para evitar a prisão do pai. Ela falou sobre as constantes invasões dos policiais ao Hotel Atlântico, na praia da avenida, em busca de provas contra o jornalista. "Mas as únicas armas do meu pai eram as palavras e do dom da oratória", contou Olga.

Em 1975, Jayme Miranda foi sequestrado no Rio de Janeiro e levado para São Paulo. "Nunca soubemos o que de fato aconteceu, mas o depoimento de um policial revelou que ele foi morto, esquartejado e seus restos mortais foram jogados no rio Avaré", disse Olga, arrancando lágrimas da platéia. "Nunca pude velar o meu pai, mas graças ao programa Ufal em Defesa da Vida, pelo menos plantei uma árvore, no bosque da memória, em homenagem a ele", concluiu Olga Miranda, bastante emocionada.

Fernando Costa, médico veterinário, que também foi preso e torturado durante a ditadura, lembrou que muitos dos sequestrados políticos em Alagoas eram estudantes da Ufal. "Na época, o reitor Nabuco Lopes abriu inquéritos universitários para suspender esses estudantes, que não tinham como se defender. É oportuno que o debate aconteça aqui porque a Ufal deve esse resgate à memoria desses estudantes", disse Fernando.

Outro depoimento que emocionou à todos os presentes, foi o da economista Maria Ivone Loureiro, que foi presa em 1971, dias depois do marido e companheiro de lutas, Odjas de Carvalho. "Fui presa em Natal, com Rosa Soares e outros companheiros. Depois fomos trazidos para o Doi Codi em Recife. Fiquei numa cela que depois me disseram ser a mesma onde ficou Odjas. Estava toda suja de sangue dos militantes políticos torturados", narrou Ivone.

Quando finalmente conseguiu confirmar que Odjas foi morto durante as torturas, Ivone, ainda presa no Doi Codi, resolveu protestar. "Pedi para ir ao banheiro e da janela dava para ver o setor do Doi Codi onde os cidadãos iam tirar seus documentos. O local estava lotado e eu gritei o quanto pude que Odjas foi morto e que nós estávamos sendo torturados ali no prédio. O fato se espalhou e gerou protestos de dom Hélder Câmara", contou Maria Ivone.

O tempo foi curto para tantas histórias emocionantes. Falaram ainda o professor universitário, José Nascimento França, e o sociólogo e padre casado, José Antônio Monteiro. Ambos iniciaram a militância política na Igreja e depois aderiram aos movimentos marxistas. "Acreditávamos na opção preferencial da igreja pelos mais pobres", concluiu Nascimento.



"Venho da pátria dos tormentos.
Venho de um tempo de crimes.
Venho das chagas que a noite
lavrou na carne dos homens"
(Marcha - Pedro Tierra)

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Histórias de dor e esperança...

A primeira vez que eu fui até ao lixão de Maceió foi em 1997. Em meio aquela montanha de lixo com vista para o mar, mulheres, homens e crianças catavam o que podia ser reaproveitado e gerar algum trocado. Fui para fazer uma reportagem e a emoção tomou conta. Pensando na vida daquelas pessoas revirando os restos jogados pela sociedade, editei a matéria com o Samir Sena, na época para o programa Alagoas na TV, para a TV Alagoas.

Depois, voltei lá algumas vezes, para fazer matérias e também para participar dos debater realizados pelo Centro de Educação Ambiental São Bartolomeu (Ceasb), com a Ana, o Clébio e outras pessoas que já naquele período buscavam alternativas para melhorar a vida daquela gente. Como repórter policial também fui à Vila Emater, para registrar a violência que atinge a rotina de quem está privado das mínimas condições de uma existência digna.

Acompanhamos as exaustivas idas e vindas, até que o lixão foi desativado, em 2010, e o lixo da cidade passou a ser levado para o aterro sanitário. Antes disso, um golpe de dor na cidade. Um menino de 12 anos, dormia no lixão, coberto por jornais, exausto, e não ouviu o caminhão se aproximar... foi atropelado. Doeu na Vila Emater, doeu em Maceió. Esse drama provocou revolta e indignação... não era para menos. Aquele menino expôs o descaso com que a infância desprotegida das crianças alagoanas.

Foi com toda essa carga de histórias na mente e no coração que eu assisti ontem a peça "Histórias Recicladas", escrita e protagonizada por ex-catadoras de lixo, hoje organizadas em uma cooperativa de reciclagem, a CoopVila. Eu chorei... ontem enquanto assistia a peça, na redação, enquanto fechava o texto, depois na gravação dos offs e ainda hoje, quando assiste à matéria na TV. Não consigo olhar para essas mulheres corajosas, que superam a cada dia dificuldades enormes, para manter a esperança e encontrar alguma alegria na vida, sem me emocionar...

Desejo à elas que as histórias se reciclem cada vez mais, até se transformar em paz, alegria, dignidade. Desejo à nós que nunca nos tornemos indiferentes...

Reportagem sobre a peça "Histórias Recicladas" exibida no jornal da Pajuçara Manhã